quinta-feira, 17 de abril de 2014

Acervo em foco

A prisão de Tiradentes
A prisão de Tiradentes

No ano de 2014, uma das obras mais emblemáticas do acervo do Museu Julio de Castilhos completa 100 anos: o quadro A prisão de Tiradentes (pintura a óleo sobre tela, medindo 180cm x 280 cm), do pintor Antônio Parreiras. O quadro deu entrada no acervo do museu através do Ofício n° 46, de 04 de fevereiro de 1953, como resultado de uma troca com o Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS). No entanto, sua história e significado vão muito além do simples registro oficial.
Antônio Parreiras (Niterói, *20/01/1860 – Niterói, †17/10/1937) pertenceu à Academia Imperial de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro, onde conviveu com outros artistas como os pintores Victor Meirelles e Pedro Américo. Parreiras também frequentou a Academia de Belas Artes de Veneza, na Itália, e chegou a estabelecer um atelier em Paris no começo do século XX, onde realizou diversas obras, incluindo A prisão de Tiradentes. Em 1926 o artista também publicou um livro, História de um pintor, contada por ele mesmo, onde contou sobre suas viagens, a produção de suas pinturas e quem eram seus clientes. Foi a pedido do então presidente do estado do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, que Parreiras realizou o quadro A prisão de Tiradentes, destinada para a Biblioteca Pública de Porto Alegre. 
Após a proclamação da república, em 1889, o novo grupo político dirigente enfrentou dificuldade em encontrar uma figura que representasse o novo regime e ao mesmo tempo a nação, o que a figura do imperador D. Pedro II constituía no tempo do império. Dentre os fatores que levaram a escolha de Tiradentes, pesaram o fato do inconfidente não ter participado de uma batalha sangrenta, nem ter exercido a força ou violência – devido a conjuração mineira não ter se concretizado, e a idealização de sua figura à semelhança de Jesus Cristo, conferindo uma imagem mística e de mártir. Foi justamente durante as primeiras décadas do regime republicano que foram produzidas as primeiras e mais importantes pinturas dedicadas ao inconfidente, como as de Décio Villares (Retrato de Tiradentes, 1890), Aurélio Figueiredo (Martírio de Tiradentes, 1893) e Pedro Américo (Tiradentes esquartejado, 1893), que ressaltavam a simbologia de “cristificação” da personagem.
No quadro de Antônio Parreiras, observamos uma rara representação do inconfidente trajando parte das vestes de oficial alferes do regimento de Estremoz, ao qual pertencia. Contudo, a figura de um Tiradentes altivo, em posição enérgica ao receber a ordem de prisão, contrasta com representações anteriores e habituais dedicadas ao personagem, que tradicionalmente lhe conferiam um ar sereno, de humildade e resignação. Parreiras representa Tiradentes na postura de resistência, o que ressalta o caráter de herói cívico da personagem contra a ordem estabelecida pelo poder monárquico e o domínio português sobre o território que constituía o Brasil. Porém, são os detalhes dos rostos dos outros oficiais em cena, sem barba e de cabelos curtos, onde podemos perceber a continuidade da influência de uma imagem tradicionalmente idealizada sobre Tiradentes que também influenciou a representação da personagem por Parreiras, que o retratou de barba e cabelos longos.
Após 100 anos de sua produção, o quadro A prisão de Tiradentes, continua a proporcionar ao observador a reflexão sobre a importância dada pelos sistemas políticos para a elaboração de representações que possam ser identificadas como símbolos dos princípios e ideais que incorporem e comuniquem à sociedade de sua época as características de um determinado modelo político de governo. O que podemos observar também em bandeiras, retratos de governantes, estátuas e moedas do passado e do presente. O quadro de Parreiras desempenha a função de um discurso visual e de caráter pedagógico, característica de narrativa que constitui as obras de pintura histórica. Contudo, mesmo o pintor tendo realizado sua produção baseada em uma documentação, não podemos considerá-la como um registro do real, mas sim fonte preciosa de informações para compreendermos o imaginário de sua época.

Me. Rivadávia P. Vieira Jr.
Historiador

sábado, 12 de abril de 2014

Ciclo de palestras

Ciclo de palestras sobre a Ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul
11/04/2014
Palestras:
– Cesar Augusto Barcellos Guazzelli: "O leão acordou!" 1964, Ditadura Civil-Militar no Brasil
– Marla Assumpção: “Ditadura civil-militar no RS e conexões repressivas”
– Ananda Simões Fernandes: “Brasil e a política de terrorismo de Estado para o Cone Sul"

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ciclo de palestras

Ciclo de palestras sobre a Ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul
10/04/2014
Palestras:
– Silvania Rubert: ”Terrorismo de Estado e lutas pela memória na ditadura civil-militar no Brasil”
– Patrícia da Costa Machado: “Repressão Legislada: do AI-1 à Lei da Anistia”
– Alberto Koppitke: Palestra e lançamento do livro “Pensamento Instantâneo”.

quinta-feira, 10 de abril de 2014


Ciclo de palestras

Tiego Rocha Rebello e Thiago de Moraes
Ciclo de palestras sobre a Ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul
09/04/2014
Palestras:
– Thiago de Moraes: “O IPESUL e a desestabilização do governo de João Goulart no Rio Grande do Sul”
– Tiego Rocha Rebello: “Governo Ildo Meneghetti e a Reforma Agrária (1963-1964)”

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Lançamento do livro e palestra


Lançamento do livro e palestra:
"A poesia está nas ruas:
Associativismo e confronto político em Porto Alegre (1962-1968)" de Gustavo Coelho.
Abertura da exposição "Associações", de Bruno Pires
fotos: Fernanda Lima